segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Hoje acaba por aqui

Fecho os olhos e vejo o mundo
Vazio de ti, de mim ou de planos para o futuro.
Que é de mim?
Perdi-me há tanto tempo que já nem sei onde foi.
Nós, sei que nunca fomos.
Hoje acaba por aqui.

Estou sentada,
Presa numa cadeira sem saber se me devo levantar
Ou deixar que se parta para cair e
Procurar outra cadeira, outro lugar,
Outro sítio onde me possa encontrar
E saber que achei um sítio onde ficar.

Conto em voz alta,
Histórias que senti, já nem sei se vivi
Mas que senti como sendo minhas.
Estão em toda a parte a preencher os silêncios
Que enchem os espaços que deixei por aí.

Que é de mim?
O que é isto em que me tornei?
Aqui, onde fiquei
Num lugar cada vez mais distante do sol.

Eu espero, mais um pouco
Neste mundo louco
Que teima em acelerar sem olhar à volta,
Em girar os dados e deixar-nos à sorte
Do número que calha sem quê nem porquê.

E depois vou,
Para algum lugar
Onde me possa encontrar,
Onde o sol esteja mais perto
E me deixe ter novas histórias para contar.


M

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Como da primeira vez

Olha para mim como da primeira vez. Aquela vez em que não te vi chegar, em que não avisaste e entraste sem bater. Olha para mim, quero ver tudo do princípio. 
Não quero voltar atrás, só quero ver os detalhes que perdi, o que mudou em ti neste tempo que passou e o que faz com que eventualmente voltes sempre.

Conta-me, outra vez, o que te vier à cabeça. Vamos mudar isto, dar uma volta a tudo e a nada, sem pensar muito, sem pensar demais, sem medo de dizer o que sentimos e não o que é preciso.
Acho que sempre houve tanto que deixaste por dizer. Falo por mim, que também o fiz, porque achei que era isso que querias... que eu ficasse calada para tornar "isto" mais fácil. 

Bem, eu tentei... mas o silêncio não nos ajudou e desta vez não quero fazer tudo igual. Quero novo, quero diferente, quero algo mais do que encontros e desencontros constantes que não nos levaram a lugar nenhum.

Desta vez, outra vez, mais uma vez... aqui estou eu a tentar, porque "isto" pode valer a pena se quiseres tentar também. 
E se, afinal, estiver tudo mal, fala comigo. Diz-me o que queres em vez de ires embora sem olhar para trás outra vez. Não posso continuar aqui presa se "isto" se mantiver apenas "isto"... e no fundo tu também o sabes. 


Olha para mim como da primeira vez, prometo que vou olhar de volta.

M

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Só tenho pena


Sexta-feira e o sol hoje brilhou na Alemanha, coisa que por aqui não se vê com tanta frequência como gostaria. E aí, como está o tempo? E tu, como é que estás? E, e, e... 


Queria, novamente, falar de tudo e de nada. Chegar à fase da conversa em que debatemos, pela milésima vez, que o trabalho não é nem vale tudo. Que é bom poder respirar fundo e ter alguém com quem partilhar esse respirar. Tu argumentas que não te importas de trabalhar horas a fio e não ter grande vida para além disso, agora que estás a começar. Eu argumento que vais, mais cedo do que pensas, aperceber-te que essa ordem de prioridades não está certa. 

E caio em mim. É sexta-feira, já trabalhei horas extra que davam para ir de férias uma semana e vem aí mais um fim-de-semana em que vou acabar a ver e rever na minha cabeça tudo o que aconteceu e não aconteceu connosco. Quase te mandei uma mensagem esta semana. Recebi uma novidade e a primeira coisa que me apeteceu foi contar-te e saber o que pensavas do assunto. 

Provavelmente, como sempre fizeste, ias encorajar-me a arriscar. Ias dizer-me que devia pôr-me em primeiro lugar e que era palerma por não avançar. Só que, desta vez, eu ia interromper-te e contar-te que vou tentar. Ias ficar contente comigo, ias mesmo. Mas andamos desencontrados e fiquei outra vez num monólogo que não vieste interromper. 

Também deves ter tantas novidades para contar. O fim do curso, o início do trabalho novo, a empresa, as pessoas, os teus amigos que vieram para Lisboa fazer o mestrado este ano... Aposto que estás contente com isso... Só tenho pena que não possas estar contente comigo também.



M

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Habituei-me

Habituei-me a escrever sobre despedidas, sobre quases e ses e porquês silenciosos que escolhi partilhar assim e somente assim. Habituei-me às ausências, aos silêncios e às respostas por chegar.
Sempre escrevi assim, sempre fui assim. Não por escolha ou obrigação, mas porque o caminho por onde fui ter sido sempre isto, só isto.
Queria poder gostar de ti, queria poder ficar e queria que pudesses e quisesses ficar também... Num espaço perto, cada vez mais perto do meu. 
No entanto, tudo o que vejo está de pernas para o ar. Vais e vens, vais e vens e eu, novamente, habituo-me a esperar pelo eventual momento em que vens e ficas. 
O teu ficar tem um prazo e, por muito que tente, nunca o consigo prever ou alterar. Vais, simplesmente, e eu fico e vou, volto e vou, volto e fico outra vez. Por que é que vens afinal? Queria uma resposta a sério, se pudesse ser. 
Queria, porque no fundo sei que querer no presente não vai mudar nada. Um dia destes saio deste limbo, andar na corda bamba cansa sabes? Acho que não, já te foste outra vez.
Adeus, até já? Já nem sei o que te diga. Habituei-me.

M

domingo, 14 de maio de 2017

Quartos de hotel e lições de vida

Um mês, um quarto de hotel, um tempo que de livre pouco tem.

Dou por mim, num domingo à noite em frente ao computador - a companhia disponível neste quarto de hotel - a olhar pela janela para a estação de comboios aqui ao lado. Não sei porquê, mas há qualquer coisa na forma como a noite transforma o aspecto daquela estação que lhe dá um encanto que não sei descrever. Um encanto que me faz pensar no vai e vem, no ir, no ficar, no divagar.

Ontem visitei um parque com jardins a perder de vista, com uma paz e uma cor que me encheram de vida e de calma. Faltou-me, como me falta agora quando olho para estas quatro paredes, a companhia com quer partilhar estes momentos. E isso, às vezes é só uma ideia remota, noutras é um pensamento constante que não sei evitar. Trabalho, hotel.. hotel, trabalho. Passeios sozinha ao fim-de-semana. É a isto que me resumo?

Tive a tentação de ir falar contigo, de tentar partilhar um bocadinho disto contigo na esperança (tola) de que percebesses que queria mesmo poder partilhar estes momentos de liberdade contigo. Pensei duas vezes e mantive este silêncio que, agora, já parece inquebrável. Pergunto-me se estás mesmo feliz com o caminho que escolheste.

Conheci, na volta do passeio pelo parque, um senhor nos seus quase 70 anos sentado numa esplanada no centro da cidade. Um senhor cheio de histórias e sorrisos para partilhar e com uma incrível sensação de serenidade para transmitir. Partilhou a história da filha que adotou e que não pode visitar mais porque está na China, onde pessoas estrangeiras com mais de 60 anos não podem entrar. Partilhou, também, a história da morte da sua mulher há 5 anos atrás e o sentido que encontrou em viajar pelo mundo a fazer o seu trabalho (engenharia de pontes).

Encontrei-o hoje, novamente, contou-me que tinha ido ao parque que lhe tinha indicado e que tinha gostado muito. Vinha ensopado, depois de uma chuva repentina que caiu e, quando lhe disse que tinha dito azar com o dia escolhido para lá ir sorriu e disse "Não, fui no tempo em que tinha de ir". E foi embora, para o seu quarto de hotel, onde vai ficar durante o próximo ano.

Deixou-me desarmada, mas acho que percebi a mensagem. Foi um bom fim-de-semana fora deste quarto de hotel.


M




sexta-feira, 14 de abril de 2017

Vou ali... e já volto

A vida acontece-nos e, outra vezes, somos nós que acontecemos na vida. De alguém, de nós, no tempo que só se faz notar quando se esgota.
Decidi aceitar um desafio e explorar mais um bocadinho do mundo, enquanto posso ser eu a acontecer na vida, enquanto tenho tempo para acontecer na vida.
Lembrei-me hoje que faltam 3 meses para terem passado 5 anos desde que o teu tempo se esgotou. 5 anos desde que a vida de aconteceu de uma forma cinzenta e triste... E depressa demais. Tu, cheia de planos e sonhos para fazer acontecer na vida. 
Vou em trabalho e sem grandes planos para o resto. Vou, e espero preencher os espaços com boas memórias para contar no regresso. Sim, porque vou, mas sei que volto. 
Levo a tua frase comigo, aquela que aqui deixei há quase 5 anos atrás. 

"Ser forte é dar esperança aos outros quando já não há esperança para nós. E, se isto é ser forte, eu seu que sou forte. Só queria não ter escrito isto."

Vou ali, explorar um bocadinho da Alemanha... e já volto.
M

quinta-feira, 16 de março de 2017

Tu mereces e eu também


Por isso, eu vou seguir o meu caminho e tu vais seguir o teu. Talvez um dia nos voltemos a cruzar.
Até lá, tu mereces e eu também. Sem rancores, sem porquês, escolho seguir em frente com o sol da Primavera que, gentilmente, me aquece e uma brisa que ajuda a amenizar. É um bom dia para seguir em frente.

Espero que encontres o que queres, espero que - enfim - saibas o que queres quando o encontrares. Boa sorte!

Eu vou ali e já não venho. 



M