segunda-feira, 31 de julho de 2017

Habituei-me

Habituei-me a escrever sobre despedidas, sobre quases e ses e porquês silenciosos que escolhi partilhar assim e somente assim. Habituei-me às ausências, aos silêncios e às respostas por chegar.
Sempre escrevi assim, sempre fui assim. Não por escolha ou obrigação, mas porque o caminho por onde fui ter sido sempre isto, só isto.
Queria poder gostar de ti, queria poder ficar e queria que pudesses e quisesses ficar também... Num espaço perto, cada vez mais perto do meu. 
No entanto, tudo o que vejo está de pernas para o ar. Vais e vens, vais e vens e eu, novamente, habituo-me a esperar pelo eventual momento em que vens e ficas. 
O teu ficar tem um prazo e, por muito que tente, nunca o consigo prever ou alterar. Vais, simplesmente, e eu fico e vou, volto e vou, volto e fico outra vez. Por que é que vens afinal? Queria uma resposta a sério, se pudesse ser. 
Queria, porque no fundo sei que querer no presente não vai mudar nada. Um dia destes saio deste limbo, andar na corda bamba cansa sabes? Acho que não, já te foste outra vez.
Adeus, até já? Já nem sei o que te diga. Habituei-me.

M

domingo, 14 de maio de 2017

Quartos de hotel e lições de vida

Um mês, um quarto de hotel, um tempo que de livre pouco tem.

Dou por mim, num domingo à noite em frente ao computador - a companhia disponível neste quarto de hotel - a olhar pela janela para a estação de comboios aqui ao lado. Não sei porquê, mas há qualquer coisa na forma como a noite transforma o aspecto daquela estação que lhe dá um encanto que não sei descrever. Um encanto que me faz pensar no vai e vem, no ir, no ficar, no divagar.

Ontem visitei um parque com jardins a perder de vista, com uma paz e uma cor que me encheram de vida e de calma. Faltou-me, como me falta agora quando olho para estas quatro paredes, a companhia com quer partilhar estes momentos. E isso, às vezes é só uma ideia remota, noutras é um pensamento constante que não sei evitar. Trabalho, hotel.. hotel, trabalho. Passeios sozinha ao fim-de-semana. É a isto que me resumo?

Tive a tentação de ir falar contigo, de tentar partilhar um bocadinho disto contigo na esperança (tola) de que percebesses que queria mesmo poder partilhar estes momentos de liberdade contigo. Pensei duas vezes e mantive este silêncio que, agora, já parece inquebrável. Pergunto-me se estás mesmo feliz com o caminho que escolheste.

Conheci, na volta do passeio pelo parque, um senhor nos seus quase 70 anos sentado numa esplanada no centro da cidade. Um senhor cheio de histórias e sorrisos para partilhar e com uma incrível sensação de serenidade para transmitir. Partilhou a história da filha que adotou e que não pode visitar mais porque está na China, onde pessoas estrangeiras com mais de 60 anos não podem entrar. Partilhou, também, a história da morte da sua mulher há 5 anos atrás e o sentido que encontrou em viajar pelo mundo a fazer o seu trabalho (engenharia de pontes).

Encontrei-o hoje, novamente, contou-me que tinha ido ao parque que lhe tinha indicado e que tinha gostado muito. Vinha ensopado, depois de uma chuva repentina que caiu e, quando lhe disse que tinha dito azar com o dia escolhido para lá ir sorriu e disse "Não, fui no tempo em que tinha de ir". E foi embora, para o seu quarto de hotel, onde vai ficar durante o próximo ano.

Deixou-me desarmada, mas acho que percebi a mensagem. Foi um bom fim-de-semana fora deste quarto de hotel.


M




sexta-feira, 14 de abril de 2017

Vou ali... e já volto

A vida acontece-nos e, outra vezes, somos nós que acontecemos na vida. De alguém, de nós, no tempo que só se faz notar quando se esgota.
Decidi aceitar um desafio e explorar mais um bocadinho do mundo, enquanto posso ser eu a acontecer na vida, enquanto tenho tempo para acontecer na vida.
Lembrei-me hoje que faltam 3 meses para terem passado 5 anos desde que o teu tempo se esgotou. 5 anos desde que a vida de aconteceu de uma forma cinzenta e triste... E depressa demais. Tu, cheia de planos e sonhos para fazer acontecer na vida. 
Vou em trabalho e sem grandes planos para o resto. Vou, e espero preencher os espaços com boas memórias para contar no regresso. Sim, porque vou, mas sei que volto. 
Levo a tua frase comigo, aquela que aqui deixei há quase 5 anos atrás. 

"Ser forte é dar esperança aos outros quando já não há esperança para nós. E, se isto é ser forte, eu seu que sou forte. Só queria não ter escrito isto."

Vou ali, explorar um bocadinho da Alemanha... e já volto.
M

quinta-feira, 16 de março de 2017

Tu mereces e eu também


Por isso, eu vou seguir o meu caminho e tu vais seguir o teu. Talvez um dia nos voltemos a cruzar.
Até lá, tu mereces e eu também. Sem rancores, sem porquês, escolho seguir em frente com o sol da Primavera que, gentilmente, me aquece e uma brisa que ajuda a amenizar. É um bom dia para seguir em frente.

Espero que encontres o que queres, espero que - enfim - saibas o que queres quando o encontrares. Boa sorte!

Eu vou ali e já não venho. 



M



quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Desta vez desisto

Desta vez desisto, só tenho que te saber esquecer.
Desta vez desisto, mas por que é que continuo a procurar o teu nome?
Desta vez desisto, e vou no metro, de estação em estação, a pensar qual seria a probabilidade de te ver.
Desta vez desisto, só te queria entender.
Desta vez desisto, mas por que é que não me dizes adeus?
Desta vez desisto, e lá vens tu, e depois voltas a ir.
Desta vez desisto, tem de ser. Tem mesmo de ser. E, ainda assim, queria tanto que não fosse isto o final.

Só queria perceber-te melhor. Queria que, pelo menos, fizesse sentido. Depois desisto e aceito que não vai haver justificação para a tua ausência.


M

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Entrelinhas e mais entrelinhas

Quase 3 meses passaram, e tu ainda aqui estás. Mas falar sem ver não é a mesma coisa... e é disso que sinto a falta.

No outro dia, disseste-me que preferes ouvir do que falar, que não é por não falares que signifique que não queiras falar. Sei que havia muito para ler nas entrelinhas, só gostava que o dissesses. Ainda aqui estou, à espera que o digas. Gostava tanto que o dissesses.

Noutro dia, noutra conversa, também me disseste que tinhas mudado as tuas prioridades. Mais entrelinhas. Mais espaços que preencho com significados incertos... Se pelo menos te visse a dizer isso, se pelo menos te visse num lugar qualquer!

Eu espero, mas não posso ser eu preencher as entrelinhas. Mais que tudo, porque as entrelinhas são tuas e não quero voltar a fazer planos imaginários que não vou cumprir. Posso ser eu a ouvir-te desta vez?

Espero que sim. Espero aqui, onde me sabes encontrar.




M

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Outra vez, mais uma vez

Voltaste. Sem dizer nada e, de um modo tão teu, deste "sinal" e esperaste pelo meu olá. 

Outra vez, mais uma vez, não demorei e encurtei a tua espera. Durante a conversa lembrei-me do quanto gosto de falar contigo, do quanto me fazes ver coisas que sozinha não vejo. Essa tua mania, irritantemente engraçada, de me despistar com respostas e atitudes inesperadas e assustadoramente directas... confesso que sempre me deixaram curiosa. Depois, também, vieram as memórias da tua ausência não-anunciada e do sentido que não consegui encontrar nisso. 

Não vou esperar mais de ti, enquanto me dizes que tinhas saudades de falar comigo. Não quero esperar mais de ti, como é que tens saudades e esperas que seja eu a calar o silêncio? Por outro lado, não te vou cobrar nada, nunca tive esse direito (mesmo que em alguns momentos o tenha desejado).

Outra vez, mais uma vez, vou ser a amiga que vieste procurar e vou deixar que sejas o amigo que não procurei mas que quis aparecer. Se é assim que tem de ser, então vou deixar ser sem pensar muito no assunto. 

Desta vez sei que tanto podes ficar até ao fim do dia como podes ficar por muito tempo. Sei que vou gostar desse tempo, dure o que durar.

Outra vez, mais uma vez, voltaste e, afinal, eu ainda aqui estava.



M