quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Outra vez, mais uma vez

Voltaste. Sem dizer nada e, de um modo tão teu, deste "sinal" e esperaste pelo meu olá. 

Outra vez, mais uma vez, não demorei e encurtei a tua espera. Durante a conversa lembrei-me do quanto gosto de falar contigo, do quanto me fazes ver coisas que sozinha não vejo. Essa tua mania, irritantemente engraçada, de me despistar com respostas e atitudes inesperadas e assustadoramente directas... confesso que sempre me deixaram curiosa. Depois, também, vieram as memórias da tua ausência não-anunciada e do sentido que não consegui encontrar nisso. 

Não vou esperar mais de ti, enquanto me dizes que tinhas saudades de falar comigo. Não quero esperar mais de ti, como é que tens saudades e esperas que seja eu a calar o silêncio? Por outro lado, não te vou cobrar nada, nunca tive esse direito (mesmo que em alguns momentos o tenha desejado).

Outra vez, mais uma vez, vou ser a amiga que vieste procurar e vou deixar que sejas o amigo que não procurei mas que quis aparecer. Se é assim que tem de ser, então vou deixar ser sem pensar muito no assunto. 

Desta vez sei que tanto podes ficar até ao fim do dia como podes ficar por muito tempo. Sei que vou gostar desse tempo, dure o que durar.

Outra vez, mais uma vez, voltaste e, afinal, eu ainda aqui estava.



M