quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Fazes-me Falta

Encontrei, por acaso, um outro blogue com excertos de um dos, se não mesmo o meu livro favorito. Aqui deixo o link, que me deixou com muita vontade de reler este "Fazes-me Falta" da escritora Inês Pedrosa.

http://artesdistorcidas.blogspot.pt/2010/11/fazes-me-falta-ines-pedrosa.html


M

The Perks of Being a Wallflower

And Sam looked at the paper and then she looked at me.
"Charlie... Have you ever kissed a girl?"
I shook my head no. It was so quiet.
"Not even when you were little?"
I shook my head no again. And she looked very sad.
She told me about the first time she was kissed. She told me that it was with one of her dad's friends. She was seven. And she told nobody except Mary Elizabeth and then Patrick a year ago. And she started to cry. And she said something that I won't forget. Ever.
"I know that you know that I like Craig. And I know that I told you not to think of me that way. And I know that we can't be together like that. But I want to forget all those things for a minute. Okay?"
"Okay."
"I want to make sure that the first person you kiss loves you. Okay?"
"Okay." She was crying harder now. And I was, too, because when I hear something like that I just can't help it.
"I just want to make sure of that. Okay?"
"Okay."
And she kissed me. And it was the kind of kiss that I could never tell my friends about out loud. It was the kind of kiss that made me know that I was never so happy in my whole life.


Livro (com uma recente adaptação para filme): The Perks of Being a Wallflower
(versão portuguesa: As vantagens de ser invisível)


M


terça-feira, 1 de janeiro de 2013

"Como é que se esquece alguém que se ama?"


"Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar. Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguentar estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguém antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. é uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.
É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si, isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certa da doença de que se padece. Muitas vezes só existe agulha.
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar."



Miguel Esteves Cardoso, in "Último Volume"