domingo, 17 de novembro de 2013

Mais uma vez

Mais uma vez, acho que estou num qualquer filme daqueles em que no fim temos a cabeça cansada com tantas emoções.
Mais uma vez, não consigo achar justo que uma vida com 21 anos seja posta assim na corda bamba.
Mais uma vez, mais uma pessoa, mais silêncios cheios de medo que a esperança não chegue para ultrapassares isto.

Mas há-de chegar.

M

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Thoughts

E, por acaso, encontrei "isto"...

M


I was just thinking about mortality, that one of these days we’ll end up a pile of bones. It’s a thought for every human being, whether you believe in an after-life or that when we die, that’s it. The thought that all the beautiful things and knowledge and experiences you’ve been through just end when you end scares me, the thought that when you close your eyes for good, it’s gone forever."



Jerry Cantrell about “Them Bones”

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Gostava de conseguir escrever uma música assim.

M
Mais um dia em vão no jogo em que ninguém ganhou
Dá mais cartas, baixa a luz e vem esquecer o amor
És tu quem quer
Sou eu quem não quer ver que tudo é tão maior
Aqui está frio demais para apostar em mim.
Vê que a noite pode ser tão pouco como nós
Neste quarto o tempo é medo e o medo faz-nos sós
És tu quem quer
Mas eu só sei ver que o tempo já passou e eu fugi
Que aqui está frio demais para me sentir... mas queres
ficar?
Queres levar
Tudo o que é meu
É tudo o que eu
Não sei largar
Vem rasgar o escuro desta chuva que sujou!
Vem que a água vai lavar o que me dói!
Vem que nem o último a cair vai perder.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Somos sempre o que sentimos


"I had to rip my own heart out... Cuz you were my weakness."

Ás vezes, sem ter um porquê, só conseguimos sentir. Sem palavras, sem gestos, sem ninguém para ver... sentimos. O que há de bom, o que há de mau e até o que não há, sentimos porque parar de sentir é como morrer aos bocadinhos... por dentro. 
Mesmo quando não mostramos, mesmo que não queiramos, somos sempre o que sentimos. Resta-nos aprender a viver com isso, preparados para que o hoje seja o melhor que temos na hipótese do dia seguinte não ser garantido.



M

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Nunca se Perde uma Paixão

"Viver é, realmente, uma questão de tempo."

"Quantas vezes somos capazes de afirmar:"Perdi, não só, muitas pessoas. Perdi, sobretudo, inúmeras oportunidades de não as perder?" "

"-Tenho medo de não saber quando morre um amor...
(Pisca-lhe o olho.)
- O amor morre quando aceitamos ter uma vida normal."

"O nosso coração é uma plateia que se perde de vista. Na primeira fila estão todas as pessoas que sabem mais de nós do que nós próprios. Na segunda, aquelas que só aparecem de surpresa. Na quarta aquelas que telefonam antes de vir. Na terceira, as que foram importantes num gesto qualquer mas de quem quase nunca nos lembramos, a não ser quando um lembrete nos recorda o seu aniversário. E, depois, há a quinta e a sexta, e todas as filas que nunca se cansam de crescer."

"Ninguém chora por nada. Claro. É por tudo. Ao mesmo tempo. Mas quando nos sentimos muito, mas muito magoados percebemos que, afinal, chorámos por nada vezes demais."

"Às vezes, precisamos de nos perder no mundo duma pessoa para nos encontrarmos."

"Quando damos por isso, por mais que o nosso coração seja amigo do contraditório, estamos partidos ao meio."

"Passamos a vida a despir as pessoas. Por dentro. (...) Despirmo-nos por fora também depende do frio, por exemplo, é fácil. Despir por dentro, não. Despir por dentro implica que se desabotoe o coração. (...) há muitas pessoas que se despem, rapidamente, por fora, enquanto, por dentro, permanecem de coração abotoado. Até ao último botão. E isso não é amar. (...) Despirmo-nos por dentro supõe que sejamos autênticos e transparentes, nos gestos como nas palavras, na fantasia como nos medos, no sonho como na dor. E que só com a alma à superfície da pele nos habilitamos para o amor."


in Nunca se Perde uma Paixão - Eduardo Sá


M

sábado, 20 de julho de 2013

E é isto

"(...) sabem que agirá assim para não morrer antes de se matar."

O barulho vazio de palavras que enchem a rua, cheio de olhares que nada vêem. Vive-se, morre-se... e é isto. Temos um entretanto para deambular de um lado para o outro, em busca, muitas vezes, de uma verdade desconhecida. 
E, por um motivo ou por outro, existem tantas coisas que nos fazem sentir vivos e outras tantas que, a pouco e pouco, matam partes de quem somos. Chamam-lhe "morrer por dentro", e há dias em que isto faz todo o sentido.
Não lhe chamo estar triste, chamo-lhe estar viva, aprender a escolher onde e com quem estar. Dizem que faz parte andarmos perdidos de vez em quando... E depois? Depois havemos de, eventualmente, encontrar um caminho que faça sentido.


M

sábado, 29 de junho de 2013

Não me esqueci


Falta uma semana para fazer um ano desde aquele dia, o tempo voou. 
Quase todos os dias te lembro, em frases, atitudes ou pequenos momentos que me fazem pensar em "e se...?". Depois caio em mim, apercebo-me que aquele dia me marcou muito mais do que alguma vez pensei. Apercebo-me, mais uma vez, que acho que nunca vou realmente acreditar que vivi aquele dia e tu viveste todos aqueles dias antes desse. 
A razão pela qual nunca vou aceitar que já aqui não estás é fácil de perceber... não foi justo. Nunca é, mas contigo foi ainda menos. Fácil de perceber, difícil de aceitar. 


Escrevo para não ter de falar, é assim que me protejo do mundo. Sei que se falar sobre a tua história vou deixar cair os muros, e não quero. Tenho esta tendência para deixar as pessoas entrar demasiado facilmente, mesmo sem saber, e depois elas vão embora e sou sempre eu quem fica aqui. 
Tudo isto para dizer que não me esqueci de ti e do que me ensinaste. Por tudo aquilo que aguentaste com a tua coragem constante, mesmo sem me teres dito nada, foste a maior lição que algum dia aprendi. 

A tua carta sobre ter força... é verdade, foste muito forte e tiveste demasiado azar.


M

segunda-feira, 13 de maio de 2013

vamos todos ter que crescer

     Eventualmente vamos seguir em frente. Vamos aceitar e seguir, esquecer o que ficou por dizer ou o que foi dito a mais. Mesmo quando não soubermos por onde ir, às vezes ficar é inútil e só causa mais estragos.
     Por isso pegamos nos nossos corpos vazios e escolhemos outro caminho, deixamos para trás o que podia ter sido e partimos em busca do que pode ser, num mundo de possibilidades cada vez mais disfarçadas pelo medo de falhar.
     E, na verdade, talvez sigamos mas não esqueçamos. Talvez recordemos certos momentos ou certas frases ou certos actos, e talvez até passem a ser parte de nós. Seja como for, não há como fugir, vamos todos ter que crescer... sempre.


M

terça-feira, 30 de abril de 2013

Perde-mo-nos


O inesperado acontece, o tempo acaba muito antes do que queríamos e fica tudo por dizer. Não quero e tento evitar, mas a verdade é que todos os dias me perco um bocadinho. Todos os dias me apercebo que é inevitável, todos acabamos por nos magoar. E perde-mo-nos, e perdemos os outros e perdemos quem podíamos ser, porque já não somos quem éramos. 

No meio de uma loucura de metáforas que podia usar para disfarçar o quanto não gosto disto, escolho não disfarçar nada e dizer o que sinto. Dizer que há momentos em que me acho cheia de incertezas, em que gostava que me agarrasses na mão, me levasses e deixasses a sinceridade escorrer. Vejo tanta coisa marcada em ti mas que, no entanto, nunca me contaste. E vejo tanta coisa que queria poder contar-te, mas que não sei dizer, e por isso escrevo a mesma coisa vezes sem conta. 
Textos do que sinto ou do que penso sentir, às vezes também não sei.
Talvez haja algum nexo nisto, talvez o quanto não quero perder-me e perder os outros faça sentido, mais uma vez vou ficar sem resposta. E um dia falo sobre o magoar alguém, sobre como se tornou tão banal esquecer o sentimos. No dia em que souber fazer sentido com o que quero dizer, eu falo.

M

domingo, 28 de abril de 2013

Still standing here

"I'm still standing here 
No I didn't disappear 
Now the lights are on 
See I was never gone 

I let go of your hand 
To help you understand 
With you all along 
Yeah, I was never gone"


M

domingo, 21 de abril de 2013

What if?



"What if I fall further than you?
What if you dream of somebody new?
(...)
What if your eyes close before mine?
What if you lose yourself sometimes?"



M

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Apontamento

"The scariest thing about distance is you don't know whether they'll miss you or forget about you."



M

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Fazes-me Falta

Encontrei, por acaso, um outro blogue com excertos de um dos, se não mesmo o meu livro favorito. Aqui deixo o link, que me deixou com muita vontade de reler este "Fazes-me Falta" da escritora Inês Pedrosa.

http://artesdistorcidas.blogspot.pt/2010/11/fazes-me-falta-ines-pedrosa.html


M

The Perks of Being a Wallflower

And Sam looked at the paper and then she looked at me.
"Charlie... Have you ever kissed a girl?"
I shook my head no. It was so quiet.
"Not even when you were little?"
I shook my head no again. And she looked very sad.
She told me about the first time she was kissed. She told me that it was with one of her dad's friends. She was seven. And she told nobody except Mary Elizabeth and then Patrick a year ago. And she started to cry. And she said something that I won't forget. Ever.
"I know that you know that I like Craig. And I know that I told you not to think of me that way. And I know that we can't be together like that. But I want to forget all those things for a minute. Okay?"
"Okay."
"I want to make sure that the first person you kiss loves you. Okay?"
"Okay." She was crying harder now. And I was, too, because when I hear something like that I just can't help it.
"I just want to make sure of that. Okay?"
"Okay."
And she kissed me. And it was the kind of kiss that I could never tell my friends about out loud. It was the kind of kiss that made me know that I was never so happy in my whole life.


Livro (com uma recente adaptação para filme): The Perks of Being a Wallflower
(versão portuguesa: As vantagens de ser invisível)


M


terça-feira, 1 de janeiro de 2013

"Como é que se esquece alguém que se ama?"


"Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar. Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguentar estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguém antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. é uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.
É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si, isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certa da doença de que se padece. Muitas vezes só existe agulha.
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar."



Miguel Esteves Cardoso, in "Último Volume"