quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Porque penso nesta frase muitas vezes...

"Por mais que sejamos o nosso próprio tempo, às vezes somos o tempo de outros e outros são os nossos tempos, às vezes sem querer, às vezes querendo, às vezes dormindo, às vezes acordados." Doménico Cieri

domingo, 28 de novembro de 2010

Porque é mais fácil fechar os olhos...


       Páras, por um instante, não pensas, não sentes o que te rodeia, esqueces e continuas o teu caminho. Porque é mais fácil fechar os olhos e fingir que não se passa nada. Porque ignorar é mais fácil que enfrentar os medos, os obstáculos, as emoções que te sejam apresentadas. Porque ser frio evita que te entregues a alguém, evita que te conheçam e que te magoem, evita que ames com todas as tuas forças e dês tudo o que tens e que te deitem fora.
       É, de facto, mais fácil fechar os olhos e fingir que não se passa nada. Mas tu, Homem, embora tenhas imenso medo, não consegues ser assim, e acabas por cair sob os joelhos e acabas por te aperceber que não queres estar só, que sem algo ou alguém que te preencha, há tanta coisa que não faz sentido. E esqueces o medo, e corres e gritas e fazes o que for preciso até encontrares por quem valha a pena viver. Acabas, inevitavelmente, por cair algumas vezes, quebras-te por dentro e por fora e choras por tudo aquilo que podia ter sido e não foi.
       Até que um dia, alguém te ajuda a levantar e te guarda como o tesouro mais precioso do mundo. Nesse dia vais passar a viver mais pelo e através do outro que por ti e vais saber que todos os outros dias valeram a pena. Porque, na verdade, era tão mais fácil fechar os olhos e fingir que não se passa nada, mas tudo seria diferente, tu não serias tu e a vida não seria a vida.

M

(Fonte da imagem: http://flordomar.no.sapo.pt/joshua.rainey.jpg)

domingo, 7 de novembro de 2010

Perdida no lugar onde me encontro,
Achada onde não posso estar.
Guardo-me em ti,
O resto do mundo fica para depois.

M

sábado, 10 de julho de 2010

Em que é que nos tornámos?



O tempo passa e as pessoas afastam-se, cansam-se umas das outras, tornam-se frias, egoístas e seguem em frente como se tudo isso fosse normal. Mas a culpa não é do passar do tempo, a culpa é de quem acha que está bem assim, é de quem se afasta e de quem se cansa de outrem sem sequer tentar entender o porquê. Como é possível cansar-mo-nos de alguém que dizemos ser importante para nós? Como é possível virar-lhe as costas e esquecer? Que raio de seres racionais somos nós? Nos momentos em que devíamos pensar e analisar as situações mandamos tudo para trás das costas, torna-mo-nos estupidamente irracionais, e seguimos, à procura de um futuro melhor, quando o presente representa, talvez, a melhor hipótese que temos de ser felizes.

M

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Como começar?

Já há algum tempo que andava curiosa para ver como seria ter um blogue, por isso aqui estou. Aqui deixo, para começar, um poema da minha autoria.

"Escrevo-te"

Escrevo-te...

Nas linhas de um caderno

Gasto pelo tempo.

Escrevo-te...

A cada ponteiro que não pára

Em direcção ao futuro.

Escrevo-te...

A cada palavra,

A cada segundo,

Em todo o meu silêncio

E todo o meu furor.

Escrevo-te...

Porque não sei escrever sem ti.

Aqui e ali,

Estás na ponta do meu lápis,

Neste carvão que te diz...

Diz-te ausente,

Tão presente,

Falando ao meu ouvido

Sem mais ninguém te ouvir.

Hoje,

Escrevo-te.

Amanhã,

Escrever-te-ei.

Ontem,

Escrevi-te,

Descrevi-te,

E posso voltar a tentar.

Porque ontem

Cometi um erro,

Tentei pôr-te no papel...

Agora corrijo-me

E volto a pôr-te aqui,

Sabendo que não permaneces...

Neste papel

Só te escrevo,

E posso sempre voltar a escrever-te...

Mas tu,

No teu corpo e alma,

És muito mais que este

Pedaço de nada.

E voas para longe

Desta minha mão,

Foges-me

E fico feliz...

Isto não és tu,

É para ti,

No entanto não és tu,

É apenas o meu pensamento de ti...


M