quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Despedidas


     Vazio. Uma, duas, três vezes, olho para estas quatro paredes e apercebo-me de que restamos apenas eu e o nada. O vazio da tua ausência, que me prende durante horas a pensar em "ses" infundados e me faz querer correr sem parar até conseguir deixar de pensar tanto e apenas fazer. Fazer o que o coração e a alma mandam, e, por momentos, deixar de fora o que a consciência diz.
     Agora tenho-te, amanhã já partiste. É sempre assim. A vida é feita de partidas e chegadas, abraços apertados de felicidade por te ter finalmente e abraços apertados de quem sabe que tem que te deixar ir mas de quem a vontade era que ficasses. A diferença é enorme. Beijo-te, abraço-te, viro costas e tento ir embora sem olhar para trás, sem sentir um murro no estômago e um aperto no peito que não sei de onde vêm. Nunca consigo, páro e tenho que te olhar mais uma vez, mesmo que já não me vejas, mesmo que já tenhas partido, tenho que tentar. 
     Depois sim, fecho os olhos, dou meia volta e vou embora. Acelero o passo, penso que vais voltar mesmo não sabendo quando, limpo as lágrimas que vão caindo pelo caminho e apanho os pedaços de mim que perdi quando me deste aquele último abraço. É assim cada vez que vais. Algures dentro de mim, tenho a ideia de que isto nos torna melhores, com mais certezas sobre se os sentimentos são verdadeiros e fortes o suficiente para sobreviveram às despedidas que passaram e às que virão.




M



fonte da imagem: http://ipt.olhares.com/data/big/397/3977121.jpg




1 comentário:

  1. que posso eu dizer... adorei esse texto mesmo, e junto com a música, numa palavra: perfeito.

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