segunda-feira, 31 de julho de 2017

Habituei-me

Habituei-me a escrever sobre despedidas, sobre quases e ses e porquês silenciosos que escolhi partilhar assim e somente assim. Habituei-me às ausências, aos silêncios e às respostas por chegar.
Sempre escrevi assim, sempre fui assim. Não por escolha ou obrigação, mas porque o caminho por onde fui ter sido sempre isto, só isto.
Queria poder gostar de ti, queria poder ficar e queria que pudesses e quisesses ficar também... Num espaço perto, cada vez mais perto do meu. 
No entanto, tudo o que vejo está de pernas para o ar. Vais e vens, vais e vens e eu, novamente, habituo-me a esperar pelo eventual momento em que vens e ficas. 
O teu ficar tem um prazo e, por muito que tente, nunca o consigo prever ou alterar. Vais, simplesmente, e eu fico e vou, volto e vou, volto e fico outra vez. Por que é que vens afinal? Queria uma resposta a sério, se pudesse ser. 
Queria, porque no fundo sei que querer no presente não vai mudar nada. Um dia destes saio deste limbo, andar na corda bamba cansa sabes? Acho que não, já te foste outra vez.
Adeus, até já? Já nem sei o que te diga. Habituei-me.

M

Sem comentários:

Enviar um comentário